sexta-feira, 6 de março de 2015

Senadora cobra manifestação da oposição por citação de Agripino na Sinal Fechado

Senadora petista afirma que discurso de moralidade de opositores é “seletista” e não fala dos próprios casos


Ciro Marques
Repórter de Política
76o4o4Parecia que a Operação Sinal Fechado e a abertura de inquérito para investigar o envolvimento do presidente nacional do Democrata, o senador José Agripino Maia, iria passar incólume pelas lideranças do PT no Rio Grande do Norte. Parecia. Depois de meia duzia de declarações rasas sobre o depoimento do delator George Olímpio, colocando Agripino como recebedor de propina, a senadora Fátima Bezerra subiu na tribuna do Senado Federal e cobrou manifestações da chamada “oposição” brasileira, que tem o parlamentar do DEM como um dos líderes.
No longo discurso feito no Senado, Fátima Bezerra falou sobre a influência que a mídia tem feito na política brasileira e afirmou que as recentes críticas da oposição não passam de uma farsa. “O que vemos hoje não é a defesa da ética na política e o sincero desejo de combate à corrupção, mas um discurso em que utiliza-se da moral para destruir o adversário, tratado como inimigo a ser eliminado da cena política”, afirmou a petista.
Segundo Fátima Bezerra, há um discurso falso dos opositores ao Governo Federal da presidente Dilma Rousseff (PT), porque “não passa de uma indignação seletiva, onde escândalos com o mensalão mineiro que se arrasta na justiça desde 1998 e até mais recentemente a ‘operação sinal Fechado’, denúncias que envolvem figuras políticas do meu Estado, são simplesmente tratados como fatos menores e até mesmo aceitáveis aos olhos desses falsos moralistas”.
Antes disso, quando questionada sobre a Sinal Fechado, Fátima Bezerra havia dito, apenas, que o senador José Agripino deveria ser investigado e, caso culpado, condenado por corrupção. A pouca ação petista diante dessa fato, inclusive, foi apontado como um dos motivadores para a “branda” repercussão nacional do envolvimento do presidente nacional do DEM no esquema. Tanto que o próprio Agripino, que faria um pronunciamento na semana passada se defendendo, teria sido procurado por colegas partidário para desistir de falar no assunto, como forma de evitar a continuidade da repercussão do fato.
Contudo, o caso envolvendo o senador José Agripino, acusado por George Olímpio de receber R$ 1 milhão para ajudar na implantação da inspeção veicular no Rio Grande do Norte (denúncia que deve ser investigada pela Procuradoria-geral da República), não foi o único sobre corrupção que Fátima afirmou no discurso. A petista também comentou o caso envolvendo seu próprio partido. Porém, afirmou que há “outros interesses em jogo” quando se fala do popular Petrolão.
“O que desejam os que hoje fazem o discurso contra a corrupção praticada por funcionários da Petrobras? Usar esse fato evidente e que está sendo devidamente investigado, como pretexto para defender a mudança do sistema de partilha para o sistema de concessões, bem como desgastar a imagem da presidenta Dilma a ponto de tentar criar condições sociais para um pedido de impeachment. Ora, senhores, sabemos que o impeachment é um julgamento político, não jurídico. Todavia, há que ter base jurídica para tanto. E esta, como sabemos, não existe”, criticou Fátima Bezerra.
“Não compactuamos com a corrupção. Devemos sim combatê-la, pois a corrupção na política não se reduz ao desvio do dinheiro público. A corrupção, como apropriação privada do dinheiro público, corrompe a própria ideia de política. Resgatar a dignidade da política passa necessariamente pelo combate à corrupção. Mas não podemos ser ingênuos em achar que todo o problema da política se resolve com o combate à corrupção econômica”, acrescentou Fátima.

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